

A PERFORMANCE
MULHERMÁQUINA é um experimento cênico-audiovisual criado pela artista multilinguagem Thaís de Campos, recifense radicada em Fortaleza desde 1999. Ele nasce como uma performance de aproximadamente 40 minutos abordando temas relacionados com sua história de vida e seu percurso como mulher, mãe e artista. Esse tem sido o caminho que a artista vem trilhando para elaborar poeticamente alguns temas que a atravessaram nos últimos anos: menopausa, esgotamento, ansiedade, disfunção, automatismos cotidianos, sobrecarga, maternidade, envelhecimento, saúde, auto imagem, sexualidade… Uma forma de fabular, de inventar possíveis, de jogar com a autoficção e a autobiografia, de aprofundar sua pesquisa entre linguagens, de fazer música com coisas ordinárias, de olhar as coisas que lhe cercam e enxergar além. De tocar as coisas e ser tocada por elas, transformando suas angústias em uma experiência artística única. Um jogo com a repetição.

"Proponho trabalhar a imagem de mulher-máquina, cunhada aqui como uma alegoria, para refletir sobre um certo modo maquinal de operar no mundo contemporâneo. Criada dentro do contexto neoliberal e forjada no seio do capitalismo, me aproprio dessa Mulher-Máquina, para dar corpo à sua história, buscando investigar artisticamente, novos desdobramentos, por meio do corpo, da imagem e do som, da cena. Desejando acessar brechas, falhas, pontos frágeis, subvertendo a máquina, desprogramando-a e provocando um curto-circuito que, por fim, pode engendrar um processo de regeneração."

DRAMATURGIA
A performance se apresenta em três atos, como um circuito que a personagem percorre. No primeiro, ela transforma sua respiração em motor, sobrepondo camadas de sons e vozes, criando uma paisagem sonora industrial composta por sons orgânicos que se transformam em um coro de vozes ancestrais, soprando intuições. Na projeção, imagens fragmentadas da personagem, se movem pelo espaço, compondo uma atmosfera onírica hipnótica.
No segundo ato, a personagem manuseia o instrumento criado pela própria artista a partir do corpo de um violão condenado. Enquanto o toca a personagem toca a si mesma, criando um corpo-híbrido entre máquina, instrumento e mulher, num jogo entre autoerotismo e exibicionismo.
Por fim, no terceiro ato, a personagem está sobre uma mesa repleta de louças, vidros, ervas e alimentos e, lentamente vai manuseando os elementos dispostos, loopeando os sons e criando uma música-ruído que, aos poucos, vai tomando conta do espaço, se transformando num jogo sonoro caótico. A personagem tenta, a todo instante, arrumar a cena, se manter nos limites da mesa, não sair da linha… até sucumbir ao cansaço.
Na tela, vemos seus olhos distantes e marejados, assistir seu colapso, que no fundo é também sua libertação.

O som é inteiramente criado ao vivo. Através dos pedais de loop, a artista-personagem, sobrepõe inúmeras camadas e repetições construindo diversas paisagens sonoras e músicas que dialogam com cada momento da apresentação.
A luz tem um papel dramatúrgico importante desenhando no espaço atmosferas, atuando no jogo entre o que é visto e o que se esconde durante a apresentação, dialogando com as imagens projetadas que elevam a performance da artista para as telas, expandindo o corpo em cena.

REGISTROS
Apresentações realizadas no Porão do Theatro José de Alencar e na Sala Imersiva do Museu da Imagem e do Som do Ceará, em agosto e setembro de 2025.
Fotos de Micaela Menezes e Taís Monteiro.

FICHA TÉCNICA
Direção / performance / pesquisa: THAÍS DE CAMPOS
Pesquisa: AMORFAS
Direção de Fotografia: IRENE BANDEIRA
Gaffer: PRISCILA ARAÚJO
Direção de Arte e Figurino: NATÁLIA PARENTE e THAÍS DE CAMPOS
Assistente de arte e fotografia: IAN ARAUJO
Dramaturgia: LORETA DIALLA
Interlocução Textual: ÉRICA ZÍNGANO
Edição e Finalização: DANI CORREIA
Identidade Visual: CLARA VASCONCELOS
Mídias sociais: PRISCILA BAIMA
Técnicos de Som: TIAGO CAMPOS e NAIARA LOPES
Iluminação: RAO FREITAS e YANKA LEANDRA

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